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Hoje é quinta, 21 de setembro de 2017.

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Comentários sobre a "pesquisa" da SEE-SP sobre escolas de ciclo único PDF Imprimir E-mail

A SEE-SP foi obrigada a liberar a "pesquisa" que fez sobre os resultados das escolas de ciclo único comparativamente as escolas de mais de um ciclo. Nesse texto eu comento esses resultados e argumento sobre a invalidade dessa pesquisa como parâmetro para políticas públicas tão impactantes quanto a reorganização simultânea de cerca de 1000 escolas.

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A batalha acabou, mas a guerra é eterna PDF Imprimir E-mail

300-fallen_01Encerrou hoje, 12/06, a mais longa e tenebrosa greve dos professores do Estado de São Paulo. Após 92 dias de paralisação os professores que ainda conseguiam se manter sem salários decidiram pela suspensação da greve.

"Os 300, enfim, caíram".

Não vou fazer aqui uma análise de culpas e inocências. Teremos muito tempo para isso daqui por diante.

O governo paulista não atendeu nenhuma reivindicação da pauta dos professores, sequer reconheceu a existência da greve e continua reafirmando que está tudo bem, tudo normal. A mídia também não se preocupou em divulgar corretamente o movimento nem em apurar a validade da pauta de reivindicações. Com isso a sociedade toda está crente de que realmente foi tudo apenas uma ilusão. Então tá.

Segunda-feira voltamos para as salas de aula, de onde nunca saímos e nem fizemos falta, para continuar oferecendo aos nossos alunos o melhor ensino do Brasil, ainda que sem papel higiênico nos banheiros, com lousas esburacadas e tocos de giz de quinta categoria. Mas isso tudo parece perfeito. Principalmente para quem tem os filhos matriculados na rede particular.

Aos colegas professores que participaram desse movimento registro meu orgulho e satisfação por ver que ainda restam educadores com visão e ímpeto de batalha pela melhoria do ensino público. Os demais já foram suficientemente elogiados e agraciados pelo governador.

Vale lembrar apenas, talvez como consolo para uns e alerta para outros, que todos os dias o sol continuará nascendo, as crianças continuarão brincando e o velhos continuarão morrendo. Aproveite o sol, seja criança, ou morra.

 
A tortura aos professores paulistas PDF Imprimir E-mail

Professores de SP em greve

70 dias de uma greve que sequer é reconhecida pelo governo do estado de São Paulo nos levam à muitas reflexões. A principal delas talvez seja tentar compreender porquê esses professores têm tão pouca importância para o resto da sociedade: uma sociedade que sempre coloca a Educação como um fator fundamental para seu bem estar. Antes porém, falemos de tortura.

Quando levantamos os casos absurdos de tortura da época da ditadura ficamos profundamente indignados, e com toda razão. Quando tratamos de casos mais corriqueiros de tortura aos presos comuns, abuso de autoridade e violência gratuita por parte da polícia ou, ainda, casos de bandidos que sequestram, roubam e torturam suas vítimas, também ficamos indignados. E também com razão.

É aviltante admitir que se possa forçar alguém a fazer algo que não faria por vontade própria mediante mecanismos de coação que impliquem em dor, sofrimento e humilhação. É mais criminoso ainda quando isso envolve familiares da vítima que são torturados conjuntamente. E me parece inadmissível quando é feito por um estado de direito vivendo um regime democrático.

Mas como fica isso diante da decisão do governo paulista de cortar o ponto dos professores em greve, contrariando a própria constituição e, dessa forma, não lhes pagar os salários? Se, para Alckmin, pagar salários para professores que estão em greve, mesmo sabendo que depois esses professores teriam que repor essas aulas, uma a uma, é entendido como "ilegal", como entenderíamos a legalidade de expor as famílias desses professores à uma situação de risco iminente por falta de recursos para prover as necessidades mais básicas, como alimentação, saúde e serviços públicos como energia elétrica e água?

Enquanto Alckmin usa e abusa do aparelhamento do PSDB no judiciário para protelar o pagamento aos professores em greve, como vivem as famílias desses professores? E, afinal, será que isso realmente não tem importância? Pode o governo paulista torturar as famílias dos professores para obrigá-los a se sujeitarem à vontade do governador e do seu secretário da Educação?

É claro que ouviremos algumas vozes dizendo "voltem ao trabalho, vagabundos, e terão o que colocar na boca dos seus filhos", mas isso não é exatamente uma forma imoral, ilegal e vergonhosa de praticar tortura contra todos os familiares desses professores para obrigá-los a abrirem mão de seus direitos constitucionais? Não é uma forma abominável de tortura sendo validada por decisões monocráticas do judiciário?

Se os presos políticos do regime ditatorial delatassem seus amigos, seus planos e suas ações assim que fossem presos, talvez não sofressem tanto antes de serem assassinados, mas não teríamos um movimento de resistência ao golpe dos militares de 64 e nem um país democrático hoje. Pode-se argumentar que todos deveriam ter aceitado o golpe militar sem se opor, mas não foi assim. Pode-se argumentar hoje que os professores deveriam aceitar a autoridade e a vontade do governador, sem queixumes, e apenas seguir suas ordens, ainda que isso só piorasse a educação paulista. Mas não é assim que acontece em uma democracia, e muito menos quando se trata de pessoas pensantes e atuantes, como são os professores.

Eu não vejo na mídia, até agora, e nem por parte dos formadores de opinião, intelectuais e políticos alinhados com a causa trabalhista e a vontade de melhorar a Educação desse país, nenhuma movimentação real no sentido de apoiar efetivamente os professores e lhes garantir o direito de pensar, discordar e propor soluções para a Educação. Nem mesmo no que me parece o elemento mais básico de uma democracia em um estado de direito: a garantia do direito à greve sem o uso de coação na forma de tortura às famílias dos grevistas.

Voltemos então ao parágrafo inicial: porque ninguém consegue ver isso? Porque os professores, suas famílias e os alunos das escolas públicas são assim tão invisíveis? Será mesmo que a sociedade ignora esses milhares de indivíduos encarregados de educarem as próximas gerações? Será que vêem mesmo com bons olhos essa prática abominável do estado de São Paulo em torturar as famílias dos professores para obter obediência ao seu governador-ditador?

Deixo essas palavras como reflexão, mas convenhamos, já deu tempo para refletir muito, não? São 70 dias de greve e dois meses sem salário. Agora já é fato que muitos professores estão perigosamente endividados e vendendo seus poucos bens para garantir a comida de seus filhos, quando podem. E fazem isso porque acreditam em um ensino de mais qualidade com políticas de governo mais efetivas, não porque sejam vagabundos querendo receber sem trabalhar.

E você, que sempre achou que podia fazer alguma coisa pela Educação paulista, o que me diz disso tudo?

 

 

 
Não tem arrego, Mr. Alckmin! PDF Imprimir E-mail

A cada assembléia mais e mais professores comparecem e o grito de guerra continua sendo o mesmo: "Não tem arrego!".

Professores em greve

Na foto milhares de professores que puderam participar da assembléia na Av. Paulista, SP, nessa sexta-feira, 08/05, e que não constitui-se no total de professores em greve, mas apenas uma pequena parcela que pode viajar até São Paulo para participar dela, votam pela continuidade da greve e entoam juntos o grito de guerra que já viralizou: "Não tem arrego!".

Quando Alckmin diz que não há greve ele está dizendo o quê afinal? Que ele pode decretar que milhares de professores paralisados e reivindicando melhorias significativas para o ensino paulista estão simplesmente "faltando ao trabalho"? Que esses professores não existem? Ou que ele, por se sentir poderoso demais, pode simplesmente desprezá-los, aos seus alunos e as famílias deles?

Mostrei ontem, em outro texto, que já temos cerca de 5 milhões de aulas que precisarão ser repostas. Alckmin quer que os alunos fiquem sem essas aulas de reposição? Pois é isso que aconteceria se hoje todos esses professores concluíssem que estiveram enganados nesses dois meses e "arregassem", voltando ao trabalho humilhados na segunda-feira.

No atual estado catastrófico a que chegamos após dois meses de greve, e por absoluta falta de vontade política do governo em negociar com os professores e apresentar contra-propostas plausíveis, já não é mais possível "encerrar uma greve que não houve" e com isso tirar dos alunos o direito a essas 5 milhões de aulas que desapareceriam do currículo. Será que o Secretário da Educação consegue perceber isso?

A ladainha entoada pelo governador nos últimos dias, que tenta ridicularizar as reivindicações dos professores chamando-as de irreais, acaba tendo um efeito reverso ao ridicularizar a capacidade de negociação do próprio governador, que parece estar apartado da realidade, talvez em uma crise psicótica de negaciosismo (não tem greve, não tem falta de água, não tem epidemia de dengue, etc.).

Já passamos do "ponto de desistência", onde a greve poderia ter terminado sem maiores consequências. No presente momento, a menos que o governo aceite negociar em termos plausíveis, todo o ano letivo estará comprometido.

Não posso acreditar que a população do Estado de São Paulo aceite isso tranquilamente, pois isso afetará de forma catastrófica o ensino já precário que a rede consegue oferecer. Alckmin pode até ter surtado, seu secretário pode realmente ser um banana sem iniciativa própria, como corre à boca pequena, mas será que todos que têm filhos na escola pública paulista também o são?

Já passou da hora do governador parar de agir como uma criança pirracenta e tentar encontrar o que restou do projeto de vida política dele. Governar o estado mais rico da nação não é para qualquer um. Erros infantis cometidos na administração pública podem levar a consequências imprevisíveis. Beto Richa, que massacrou os professores do Paraná, já descobriu isso.

 
Em resposta ao "Estadão": baderna jornalística PDF Imprimir E-mail

Neste sábado próximo passado, 25/04, o jornal "Estadão" publicou um artigo de opinião com o título "A baderna da Apeoesp", onde faz o pior tipo de jornalismo possível para criminalizar um sindicato e toda uma classe profissional. Como o referido jornal não costuma abrir espaço para discussão sobre temas que ele acredita ser o portador da verdade, comento abaixo o artigo e mostro porque esse tipo de jornalismo não contribui para o esclarecimento da sociedade. Ainda que eu não tenha o mesmo poder de penetração do referido jornal na opinião pública, é bom saber que as redes sociais nos permitem atingir um número significativo de pessoas pensantes. Vamos ao texto.

O Estadão começa por dizer que acha lamentável a cena de "violência" que ele atribui exclusivamente aos professores em greve e já adianta que acha que isso é "mais do que um caso de polícia". Evidentemente que, se dependesse do grupo controlador do Estadão, deveria ser um caso de intervenção militar, pois alguns vidros quebrados na Secretaria da Educação é um ato de extrema violência que supera em muito as chacinas diárias em São Paulo, as escolas incendiadas e depredadas ao longo de todo o ano, a criminalidade presente no entorno da Secretaria da Educação (a Cracolândia), etc. Claro está, portanto, que o problema é extremamente grave quando se trata de vidros da porta da Secretaria de Educação. Claro também está que o jornalista que escreveu esse parágrafo introdutório não faz a menor ideia do que seja violência e nem tem conhecimento da violência que os professores sofrem todos os dias, inclusive por obra da Secretaria da Educação.

Não bastasse esse péssimo começo, o jornalista "relembra" que esse episódio é parte de "uma longa série de episódios de truculência" que, segundo o jornal, teve como ápice a "agressão" ao então governador Covas. Covas foi o primeiro tucano a se apossar do governo do Estado de São Paulo e foi reconhecidamente um dos primeiros governadores a iniciar a destruição da educação paulista, enquando doava as rodovias paulistas para os parentes e amigos. Seu legado são os pedágios exortibantes que pagamos até hoje. No episódio a que alude o jornal, um manifestante teria arremessado uma bandeira em direção a covas que, diga-se de passagem, saiu ileso do episódio.

No segundo parágrafo o jornalista pretende fazer gracinha ao apelar por uma analogia entre o prédio da Secretaria de Educação e os castelos mediavais, referindo-se à cena em que alguns manifestantes tentavam forçar a abertura da porta do prédio com uma barra de ferro. Mas podemos ir além com essa analogia e notar que a Secretaria de Educação tornou-se mesmo uma espécie de castelo mediaval, onde um secretário-mor, investido de um poder absoluto, reina soberano e dá bananas para o clamor dos professores. Lembra também, vagamente, a queda da bastilha, que marcou o início de uma série de revoltas que culminou com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Portanto, um ícone da Revolução Francesa. Quiça tivéssemos derrubado essa bastilha tupiniquim e conquistado o direito à educação de qualidade para todos. A Secretaria de Educação de São Paulo bem lembra o atraso, o obscurantismo e a violência a que se refere o jornalista, e suas ações, com ou sem greve, comprovam isso.

No terceiro parágrafo o escriba especula sobre o tamanho do estrago que esses "60 baderneiros, a maioria encapuzados" (número mágico!), mas que mesmo assim o jornalista identifica como professores, teriam feito caso não fossem contidos pela polícia. Num gesto patético de falácia da piedade, o jornalista apela para os "assustados funcionários" da Secretaria, como se fossem contra eles que os professores estivessem investindo com sangue nos olhos e desejos macabros. Enfim, um espetáculo literário que causa pena, dado que esperava-se mais objetividade e menos devaneios do jornalista.

Já no quarto parágrafo o jornalista começa sentenciando que "nada se salva" desse grupo ou do sindicato dos professores. Como assim, excelência? Evoca o comportamento "civilizado" do Secretário Herman, que teve a boa vontade de receber o sindicato para lhe dizer que "nada mudaria na política atual da secretaria" e, por fim, termina enaltecendo a má vontade do governo como uma condescendência nobre para com professores que, segundo o jornalista, já recebem mais do que deveriam, por exemplo. Nesse ponto o jornalista já deixou claro que não está fazendo jornalismo e nem emitindo opinião própria, mas tão somente dando sustentação à fala do próprio governo que, coincidentemente, afirma exatamente a mesma coisa. Mas então porque gastar quatro parágrafos até aqui? Não bastava dizer: leiam o site da Secretaria da Educação, por favor, lá está tudo o que o Estadão tem a dizer.

No quinto parágrafo é que as coisas começam a ficar interessantes, pois o jornalista afirma que o sindicato fez a opção pelo confronto e pelas reivindicações irrealistas. Convenhamos, excelsior jornalista, confrontar significa aqui justamente o que se faz em uma greve, pois que o contrário disso seria continuar nas salas de aula vendo a educação falir por absoluto e acreditar que essa sim deveria ser a realidade. Então, as reivindicações são mesmo irrealistas, pois que pretendem mudar essa realidade que lhe é confortável, meu caro, assim como também o é para o governador e para o Secretário, mas que incomoda muito aos professores e aos milhares de alunos das escolas públicas que têm direito à uma educação de qualidade e, principalmente, a mudarem isso que o Sr. chama de "realidade".

No sexto parágrafo é onde encontramos a grande falácia em que o Estadão e outros veículos "oficiais" de notícias do governo vêm apostando suas fichas: fazer crer que se está reivindicando algo não apenas absurdo, mas também que nem deve ser levado à sério. É bem sabido que a Educação não vem mesmo sendo levada a sério, mas vamos destrinchar um pouco mais essa falácia para mostrar o quanto é preciso levar a sério o investimento em Educação aqui em São Paulo e no resto do Brasil.

Ao afirmar com todas as letras que a reivindicação de 75,33% de aumento nos salários é irreal, o jornalista, por má fé, omite que essa é uma proposta negociável em termos de prazos e não uma imposição absoluta para agora. Ainda que necessária para antes de ontem, essa proposta pode ser negociada em "suaves prestações", mais ou menos no mesmo modelo em que o governo tem anunciado a proposta dele, que apenas repõe, quando muito, perdas devido à inflação. Então, meu caríssmo, irreal é sua conclusão. Pior ainda: irreal é falar em aumento de salários quando o que se está propondo é realinhamento para tornar compatíveis os ganhos dos professores quando comparados aos ganhos de profissionais com formação equivalente!

É obvio que o jornalista deve saber que os professores não ganham nem mesmo o mínimo do que deveriam para "apenas estarem equiparados a outros profissionais com a mesma formação acadêmica", como os jornalistas, por exemplo, que são formados por professores que recebem cerca da metade do salário que eles, jornalistas, receberão ao iniciarem suas carreiras. O que o Estadão está defendendo, por meio de seu articulista, é que seja mantida essa discrepância salarial absurda sob a alegação de que a equiparação é irreal. Porque irreal, meu senhor? O Estadão acredita mesmo que os professores são profissionais de segunda categoria que devem estar mais que satisfeitos em receberem metade do que recebem os demais profissionais? Essa é a visão que o Estadão tem da classe do magistério?

Os três últimos parágrafos, por fim, são pérolas para serem transformadas em contas graciosas de um colar jornalístico digno de uma perua com péssimo gosto. Neles o jornalista lembra que o governo deu reajustes salarias em anos anteriores (Mas como assim? Não deveria ter dado?), menciona com ufanismo o famigerado "bônus", aquele dinheiro distribuído sem nenhuma transparência para uns poucos professores que são alternados ano a ano, e nem mesmo se lembra de que a inclusão desse valor nos salários reais, compondo parte daqueles 75,33%, é justamente uma das reivindicações dos professores. Má fé ou desinteligência jornalística?

O último parágrafo, por fim, resume a hipocrisia e a truculência desse jornal e, por isso, reproduzo-o na íntegra: "É altamente preocupante pensar que o futuro dos alunos da rede pública está entregue a pessoas,­ ressalvadas as exceções,  que cultivam a intolerância e cultuam a baderna". Pois concordamos plenamente com essa frase e lamentamos profundamente que no passado, nós professores, tenhamos produzido jornalistas capazes de causar tanta baderna em um jornal do porte do Estadão e que cultivam a intolerância aos movimentos trabalhistas. Gostaríamos muito de, no futuro, não produzirmos mais pessoas com essa mentalidade doentia e com poder de levar seu ódio à toda uma classe profissional para as páginas de um periódico de grande circulação. Lamentamos por tê-lo produzido, meu caro.

Artigos como esse, do Estadão, não apenas desinformam porque omitem informações importantes, mas também propagam preconceitos odiosos contra uma classe profissional que é venerada em todos os países desenvolvidos do planeta. São peças de marketing político travestidas de opinião que traduzem o que de pior pode haver na liberdade de imprensa: a liberdade de mentir e manipular.

 
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