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Breve análise dos resultados do ano letivo de 2013 PDF Imprimir E-mail

O ano letivo de 2013 não apresentou muitas novidades em relação a 2012, mas vale uma brevíssima análise do ponto de vista da apresentação de resultados globais e das expectativas geradas para 2014.

A análise a seguir pode ser do interesse de todos: pais, professores e alunos; pois trata de temas onde todos envolvidos com a Educação estão inseridos. Para os meus alunos de 2014 essa análise pode ajudar a "indicar rumos" para o estudo e a obtenção de bons resultados.

A análise de resultados baseia-se principalmente na interpretação da avaliação dos alunos em quatro categorias: frequência, atividades, provas e participação. O resultado final (médias bimestrais) reflete o resultado global da composição dessas quatro categorias.

Sobre o resultado dessas quatro categorias foi feito um trabalho estatístico para cada uma das minhas cinco salas (1A, 3A, 3B, 3C e 3D) e gerados gráficos de colunas mostrando a evolução dos resultados por bimestre. Foram excluídos da análise estatística os alunos que não terminaram o ano letivo (para que a comparação entre bimestres fosse possível).

Avaliação da Frequência

A frequência dos alunos é, talvez, o elemento mais importante a ser observado e incentivado, pois dela decorre os demais resultados. Não se pode ensinar ao aluno que não está na sala de aula e nem se espera que ele vá aprender "por conta", isto é, sem orientação, aquilo que deveria estar aprendendo em sala de aula.

Apesar de eu oferecer todo o suporte à distância para o aluno que faltou em alguma aula, a observação (e a mesuração estatística que pode ser comprovada também nessa análise, além de outras já feitas) aponta claramente que os alunos com baixa frequência não conseguem se equiparar aos demais em nenhum item avaliado.

O resultado do acompanhamento da frequência das minhas classes está apresentado no gráfico abaixo.

evoluo_das_frequencias_-_2013

Como fica evidente no gráfico, em nenhuma sala a frequência é ótima e, em alguns bimestres (notadamente no segundo e no terceiro) ela é baixa, ficando as vezes abaixo do mínimo admissível (75%).

Outro ponto importante a ser observado diz respeito ao período letivo. As classes do noturno (3C e 3D) são as que apresentam menor frequência.

Observe-se também que a frequência tende a cair no segundo bimestre e depois se mantém em alta nos bimestres seguintes, sendo sempre maior nos bimestres seguintes e finalizando com a maior taxa no quarto bimestre. Isso permite concluir que:

 

  • A frequência as aulas na escola pública (e, particularmente nas minhas classes) não é um fator influnciado por motivos pedagógicos ou relativos à disciplina de Física, visto que a metodologia empregada e todos os demais fatores pedagógicos relevantes se mantiveram relativamente constantes ao longo do ano. Além disso, esse comportamento estatístico é o mesmo de anos anteriores com diferentes turmas;
  • A frequência as aulas tem que ser continuamente motivada e vai se tornando melhor na medida em que os alunos vão dando conta de sua importância. Por essa razão, incluir a frequência às aulas entre os itens de avaliação que compõem a avaliação global do aluno é uma pratica que tem se mostrado correta ao longo dos anos.
Embora o gráfico refira-se apenas aos alunos que concluíram o ano letivo, levantamentos paralelos sobre o comportamenhto dos alunos desistentes mostram que são aqueles os de menor frequência nos bimestres em que estiveram frequentando a escola.
Análises qualitativas sobre a motivação para as faltas dos alunos mostram que estas se dão preferencialmente em dias letivos próximos a feriados e nas semanas iniciais e finais de cada semestre. Nessas épocas criou-se entre alunos, pais e parte dos professores (desde o Ensino Fundamental), um hábito danoso de se considerar esses dias como "dias perdidos" (sem registro de frequência por muitos professores - apesar de ser uma prática ilegal; sem aulas regulares - isto é, sem "matéria" e; sem estímulo de familiares e professores para que o aluno venha à escola).
Outro mito criado por alunos e tornado factual por alguns professores consiste em crer que quando toda uma sala falta à aula (a chamada "falta coletiva") os alunos ficam todos com presença. Isso não só não é verdade como também deveria ser melhor trabalhado pelas escolas desde o Ensino Fundamental. Toda falta do aluno, mesmo aquela em que ele pode justificar posteriormente com atestado médico, deve ser rigistrada no controle de frequência dos professores, pois nenhum professor pode atestar falsamente a presença de um aluno quando este não está presente, sob pena de assumir o risco legal pelos atos e fatos ocorridos com o aluno durante o período em que o professor atesta sua presença em sala de aula.

Avaliação das atividades

As atividades dos alunos dizem respeito aquelas feitas em sala de aula ou passadas como tarefa para casa e que são passíveis de verificação de execução e entrega, tais como: elaboração de textos, resolução de exercíos, resumos, pesquisas e outros elementos "entregáveis".

Para efeito de registro e avaliação essas atividades são classificadas por mim em "entregues" (nota 10), "atrasadas ou incompletas" (nota 5) ou "não-entregues" (nota zero). Essa avaliação, feita dessa forma, visa estimular o aluno a cultivar práticas responsáveis de estudo e a adquirir autonomia de aprendizagem, além dos efeitos imediatos na aprendizagem dos temas relacionados a elas.

Do ponto de vista qualitativo, o resultado da avaliação das atividades feitas pelos alunos mostra o grau de engajamento dos mesmos nos processos de ensino, bem como a necessidade de desenvolver naqueles com piores resultados, melhores hábitos de estudo e práticas responsáveis.

O gráfico abaixo mostra os resultados de 2013 para o item "Atividades":

evoluo_das_atividades_-_2013

A análise do gráfico deixa claro que os alunos não possuem inicialmente hábitos de estudo adequados e nem comprometimento suficiente com tarefas e responsabilidades, mas que ao longo do ano desenvolvem essas habilidades.

Também é possível concluir disso que a prática contínua do professor em "atribuir tarefas executáveis e entregáveis" e a persistência nessa prática motiva o aluno a mudar sua metodologia de aprendizagem.

Correlações estatísticas feitas em outras análises não descritas aqui mostram, porém, que a "entrega de atividades" não tem uma correção forte com o desempenho do aluno em provas, pois algumas vezes as tarefas, apesar de entregues, não são executadas da forma correta. Há, no entanto, uma correlação mais forte entre as atividades entregues e as mudanças na prática aprendiz do aluno, mostrando que esse procedimento afeta positivamente componentes procedimentais e atitudinais da aprendizagem.

Avaliação das provas

Ainda que provas formais sejam vistas por alguns como "bichos-papões" do ensino, a verdade é que elas são, talvez, o melhor instrumento "massivo" de mensuração da aprendizagem efetiva relativa a conteúdos disciplinares, além de permitirem a avaliação concreta das competências leitora e escritora dos alunos.

Por ser um instrumento complexo que requer competências específicas do professor e demandam um esforço de execução considerável, as provas têm sido, literalmente, abolidas da escola pública (em especial no Ensino Fundamental) e, por causa disso, os alunos que chegam ao ensino médio apresentam grandes dificuldades de adaptação a elas, bem como pouca capacidade de se expressar em linguagem tecnico-formal (além de todos os demais problemas que dizem respeito diretamente à aprendizagem dos conteúdos disciplinares).

Por essas razões (e outras que não discuto aqui), os resultados das avaliações do tipo prova com meus alunos são sempre muito ruins no início do ano e tendem a melhorar no seu decorrer, como pode ser observado no gráfico abaixo:

evoluo_das_notas_de_provas_-_2013

É notável que o comportamento das notas de provas evolua de maneira semelhante não apenas entre classes, mas também ao longo dos anos e, que após três bimestres apenas, já se tenha alunos com competência satisfatória para a realização das mesmas. É por essa razão que a avaliação global leva em consideração outros fatores, além das provas, na mensuração final da aprendizagem, pois a própria prova já é um elemento de aprendizagem do aluno.

Também vale ressaltar que as provas aplicadas aos meus alunos são analítico-expositivas (onde eles têm que se expressar de maneira escrita), permitem e requerem criatividade e autenticidade nas resoluções e, embora os alunos possam dispor de mecanismos de consulta (que incluem até mesmo o Google), eles devem executá-las individualmente (isto é, as respostas devem ser autênticas).

Avaliação da participação global do aluno

A avaliação da participação global do aluno consiste na mensuração objetiva (não subjetiva, portanto) de seu empenho, engajamento e evolução nos itens de avaliação "frequência", "atividades" e "provas" sendo, dessa forma, um fator de ponderação que visa normalizar a avaliação desses itens, evitando que um deles contribua em demasia nos resultados finais da avaliação global.

A avaliação da participação estimula o aluno a se destacar nos demais itens de avaliação e dá uma medida do seu engajamento global, permitindo a ele refletir melhor sobre sua prática como aluno a fim replanejar suas ações futuras. Para mim, como professor, ela reflete o grau de engajamento do aluno no processo de ensino e aprendizagem.

É importante frisar que, apesar do nome "participação", essa avaliação não inclui elementos subjetivos relativos a "comportamento social", "simpatia ou antipatia" ou impressões pessoais. Essa avaliação é feita de maneira automatizada (em planilha eletrônica que coleta dados estatísticos de outras planilhas: frequência, atividades e provas).

O gráfico abaixo mostra os resultados de 2013 e nos permite algumas conclusões:

evoluo_da_participao_-_2013

Comparando esse gráfico com os anteriores podemos notar que ele "se pareçe" com os demais, pois reflete um comportamento conjunto de dados. Do ponto de vista da avaliação individual a nota da participação do aluno serve para reforçar comportamento positivos (como não faltar, entregar tarefas e se dedicar a execução das provas) e permite normalizar a nota final (média bimestral), como veremos a seguir na análise das médias finais bimestrais.

Avaliação bimestral

A avaliação bimestral é o resultado final da avaliação global desenvolvida de forma contínua ao longo de todo o bimestre e resume-se em um número entregue para a secretaria para fins de registro de avaliação, não possuindo, portanto, nenhum elemento específico que permita análises individuais ou de ítens de avaliação em particular. A avaliação "real" se dá sobre cada momento de cada aluno ao longo de todo o processo de ensino e aprendizagem e estende-se pelo ano todo.

Os resultados finais, no entanto, dada a sistemática de avaliação global empregada, refletem os resultados das avaliações dos quatro itens discutidos anteriormente, como era de se esperar em um processo de avaliação coerente.

Cabe também frisar que a avaliação bimestral é automatizada e computada a partir dos resultados da avaliação de frequência, atividades, provas e participação, de maneira que, em momento algum, participa da avaliação a "opinião do professor" ou elementos subjetivos relativos a comportamento, simpatia, etc.

Abaixo vemos o gráfico que mostra a evolução das avaliações bimestrais ao longo de 2013:

evoluo_das_mdias_bimestrais_-_2013

Esse gráfico ratifica o comportamento estatístico dos quatro itens que compõem a sistemática de avaliação global empregada e mostra, com certa clareza, que os alunos de fato "aprendem" ao longo do ano, não apenas conteúdos, mas também aprendem a aprender. A melhora de resultados de forma progressiva, com variações e exeções que podem ser mais bem compreendidas a partir de outras análises mais particularizadas, mostra que é possível "melhorar a qualidade da aprendizagem" e, portanto, os resultados individuais dos alunos ao longo do tempo.

 

(*) Todo o detalhamento dos itens e critérios de avaliação, bem como todos os dados uitilizados para gerar esses gráficos, estão disponíveis no site.

 

 

 

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