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Quando o ENEM se torna apenas uma porcaria de vestibular mal feito... #ENEM #Educação

enem2013

Com muita tristeza acabo de verificar as questões de Física do ENEM (Exame Nacional Esdrúxulo e Malfeito). Tristeza porque me recordo muito bem de sua origem, seu propósito e da preocupação que havia inicialmente em se elaborar uma prova razoável, baseada em uma matriz voltada a avaliação de habilidades e competências gerais e, factível para alunos das escolas públicas - as quais se pretendia avaliar e indicar rumos a partir dele. Mas essa filosofia está definitivamente sepultada com essa última prova e a constatação de que o ENEM se tornou apenas mais um vestibular vagabundo.

No que se refere a prova de Física, o ENEM se parece muito com os exames vestibulares ruins de 20 anos atrás, onde a decoreba e a capacidade de escapar das pegadinhas era marca registrada. Some-se a isso o agravante de que as questões se apresentam agora com enunciados muitas vezes duvidosos (e errados mesmo) e com uma contextualização forçada que beira o charlatanismo. Parece todas as "lições" apresentadas nos PCNEM (Parâmetros Curriculares Nacinais para o Ensino Médio) são desconhecidas ou ignoradas no ENEM atual.

Para uma prova (de Física) que pretendia avaliar o conhecimento de leis, princípios e aplicações dos mesmos a situações cotidianas, onde a capacidade de lidar com problemas realistas e de manipular conceitos sem decoreba ou masturbação matemática era seu objetivo principal, temos agora um monstrengo de 90 questões (15 de Física) onde o aluno deve ser capaz de adivinhar a intenção de quem formulou mal a questão e criou uma contextualização artificial, recorrer a memória para encontrar fórmulas (sim, precisa ser bom de decoreba!), escapar de pegadinhas e, ainda por cima, deve ter uma boa habilidade de operar contas horrendas na base da caneta e do rascunho. E tem que fazer tudo isso em tempo recorde, sob pressão e sujeito ao cansaço de uma prova imensamente longa e feita em ambientes geralmente desconfortáveis (para não dizer insalubres).

Se alguém chegou a pensar que o ENEM acabaria desbancando os cursinhos - tidos como fábricas de profissionais de escapada de pegadinhas, decoradores habilidosos com trucagens musicais etc. e tal, e preparados para suportar provas de vestibulares cruéis - enganou-se redondamente. Daqui para frente, mais do que nunca, será preciso frequentar cursinhos que ensinem decoreba, treinem a resolução de problemas artificiais e como escapar de pegadinhas. Claro, também é importante ensinar para os vestibulandos do ano que vem "como interpretar questões mal elaboradas".

Com o "novo ENEM" ganham todas as faculdades particulares que não precisam mais investir dinheiro produzindo seu próprio vestibular ruim, pois o governo agora faz isso para elas com o dinheiro público. Ganham os cursinhos que treinam "para fazer provas ruins de vestibulares ruins". E, mais uma vez, perde a Educação e a escola pública - esta que definitivamente foi excluída da possibilidade de ter um instrumento de avaliação externa capaz de lhe apontar rumos.


 

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