Alckmin e Voorwald reprovados no concurso PEB II Imprimir
concursopebiiA Educação paulista parecia que estava estagnada à beira do abismo, quando então, há cerca de duas décadas, os tucanos chegaram ao poder e disseram: "Vamos lá, chegou a competência e o preparo, todos um passo à frente"! E cá estamos agora, todos no fundo do poço.

Esse último concurso público para professores do ensino básico paulista, PEB II, só não é uma enorme piada porque não dá para rir de desgraça de tamanha investidura, incompetência e despreparo. A começar pela pretensão de efetivar 59 mil "novos" professores na rede, como se houvesse tal número de "novos" professores no mercado disponíveis e desejosos por trabalhar em uma das redes mais desestruturadas e mal geridas do país.

Mas, não bastasse o dia a dia da péssima gestão tucana da educação, refletido claramente nos resultados medíocres da educação paulista e no "clima de desilusão e desespero" dos profissionais da rede, os professores que se inscreveram para esse concurso ainda foram brindados com um processo seletivo digno da capacidade de gestão tucana e bem à cara da Secretaria de Educação paulista: o retrato da miséria da educação pública, do descalabro a que se chega quando falta o mínimo de competência gestora.

corredoresunisalAcompanhei a prova, como sempre faço, in loco, na cidade de Americana. A desorganização era tamanha que, já na chegada ao local da prova, muitos professores ficaram mais de trinta minutos andando de um lado para outro a procura da sua sala, pois não havia placas ou cartazes indicativos e milhares de pessoas tinham que perambular pelos corredores apertados da UNISAL (Universidade Salesiana, onde foi feita a prova) procurando seus nomes nas listagens coladas nas portas das salas, uma por uma!

Os funcionários contratados pela FGV (organização que foi terceirizada para a realização da prova) não tinham informações sobre nada e, visivelmente contrariados e temerosos, pediam desculpas o tempo todo e informavam que nada sabiam, que nada podiam informar, que nada podiam fazer. Na sala em que fiz a prova o início atrasou em cerca de 30 minutos.

O governo tucano é pródigo em nao ter preparo para coisa alguma em termos de gestão e, por isso mesmo, terceriza tudo. E terceriza tão mal que se criou um novo vocábulo para o fenômeno: "privataria tucana". Por trás do discurso neoliberal da transferência da responsabilidade de gestão para terceiros está, na verdade, algo que na esfera privada chamamos de incompetência. A FGV foi contratada para fazer um exame que ela mesma não sabe fazer, pois embora tenha estrutura física e logística (lamentável, mas tem), não tem equipe qualificada para produzir uma avaliação com o intuito de selecionar bons professores para a rede pública. Essa tarefa deveria caber  à Secretaria de Educação mas, ao que parece, ela não tem também essa competência, e nem outras que deveria ter. Resumindo: esse concurso, assim como a própria educação paulista, foi um processo sem rumo e anárquico.

anarquiapebiiA anarquia na gestão tucana e na Secretaria de Educação é tão grande que refletiu-se até mesmo na questão 22 da prova pedagógica, onde o gabarito oficial da prova da FGV, não modificado mesmo após terem sido impetrados recursos pelos professores, dá como correto que o currículo do estado de São Paulo se baseia no conceito de "Anarquia"! Sim, isso mesmo, se você quer ser contratado como professor pelo governo do Estado de São Paulo tem que reconhecer que a nossa educação se fundamenta no conceito de anarquia. E, de fato, tudo nesse des-governo pode ser resumido nessa palavrinha mágica e, nesse sentido, o gabarito está realmente correto.

Ainda que todos os concursos públicos da gestão tucana tenham sido péssimos do ponto de vista do seu propósito - que deveria ser o de selecionar bons professores para a rede - esse conseguiu se superar negativamente em todos os quesitos. As provas elaboradas pela FGV deixam claro que, tirando-se o pé da sala de aula, onde estão realmente os professores que entendem de Educação, restam, em grande quantidade, picaretas encostados em barrancos bem remunerados que passam os dias de sua "designação" (nome técnico para "emprego dado por favor - à retribuir, é claro) pensando em como produzir factóides para alimentar a mídia que eles pagam com o dinheiro de nossos impostos. Ou, nos escalões inferiores, funcionários carreiristas que passam os seus dias lambendo os chinelos dos seus superiores incompetentes para garantir empregos mal remunerados, mas onde se pode fingir que se trabalha e ainda se satisfazer com a falsa impressão do "pequeno poder".

Nesse ponto sou obrigado a concordar com a ex-secretária de Educação paulista, Rose Neubauer que, de certa feita e, no caso dela, apontando os dedinhos para o professorado, disse que "se a educação paulista vai mal é porque tem gente recebendo salários sem trabalhar". Ela estava certíssima! Só apontou o dedo para o lado errado, pois deveria apontar para a própria secretaria que ela comandava.

No final desse concurso teremos o mesmo resultado dos dois últimos: sobrarão salas sem professores, recrutar-se-ão todos aqueles, professores ou não, bons ou não, querendo ingressar na carreira de magistério ou só procurando um bico, mas que estejam dispostos a serem ridicularizados e mal pagos para acabarem atuando como carcereiros de crianças e adolescentes, mantendo-os presos dentro das salas de aula que mais parecem celas de uma cadeia, enquanto perdem a infância e a adolescência não aprendendo nada (ou aprendendo o que não deveriam).

É lamentável que a sociedade continue sendo enganada e permitindo que políticos incapazes e despreparados, sem nenhum compromisso verdadeiro com a Educação, sigam suas carreiras destruindo cada vez mais a já vilipendiada educação paulista. É lamentável que a privataria tucana tenha chegado tão fundo no poço da incompetência a ponto de perder totalmente o controle até mesmo da seleção dos profissionais do magistério.

Só resta parabenizar os candidatos e os muitos já professores que perderam um domingo de feriado prolongado se submetendo a um processo torturante e cruel, que durou o dia todo, encarando provas muito mal elaboradas e que, mesmo diante desse quadro lamentável, ainda resistem por força de seus ideais e graças à sua inteligência e criatividade a esse sistema anárquico chamado educação paulista.
Parabéns mestres! Todos vocês já estão mais que aprovados!

P.S.: Alckmin e Voorwald reprovaram mais uma vez, e espero que as urnas se encarreguem de acabar com a "aprovação automática" de ambos.